Notícias do Setor

Mundo enfrentará crise hídrica se não houver uma reforma global urgente, alerta agência meteorológica da ONU

Mundo enfrentará crise hídrica se não houver uma reforma global urgente, alerta agência meteorológica da ONU, Enzilimp

O número de pessoas com acesso inadequado à água chegará a 5 bilhões em 2050, ante 3,6 bilhões em 2018, alertou a agência.

A gestão global dos recursos hídricos é “fragmentada e inadequada” e os países devem adotar com urgência reformas para aumentar o financiamento e impulsionar a cooperação em sistemas de alerta de emergência antes de uma crise iminente, disse a agência meteorológica da ONU nesta terça-feira (5).

Mundo enfrentará crise hídrica se não houver uma reforma global urgente, alerta agência meteorológica da ONU, Enzilimp

As mudanças climáticas devem aumentar os riscos relacionados à água, como secas e inundações, enquanto o número de pessoas que vivem com estresse hídrico deve aumentar devido à crescente escassez e ao crescimento populacional, alertou o relatório.

“Precisamos acordar para a iminente crise da água”, disse Petteri Taalas, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial (OMM) das Nações Unidas.

‘The State of Climate Services 2021: Water’, uma colaboração entre a OMM, organizações internacionais, agências de desenvolvimento e instituições científicas, estima que o número de pessoas com acesso inadequado à água chegará a 5 bilhões em 2050, ante 3,6 bilhões em 2018.

A cooperação pede mais financiamento e ações urgentes para melhorar a gestão cooperativa da água, mencionando a necessidade de melhores sistemas de alerta de enchentes na Ásia e sistemas de alerta de seca na África.

Apesar de alguns avanços recentes, constatou-se que 107 países permanecem fora do caminho para uma meta de gestão sustentável de seus recursos hídricos até 2030.

“Cerca de 60% dos serviços meteorológicos e hidrológicos nacionais –os órgãos públicos nacionais encarregados de fornecer informações hidrológicas básicas e serviços de alerta ao governo, ao público e ao setor privado– carecem de todas as capacidades necessárias para fornecer serviços climáticos para a água”, segundo o relatório.

Taalas afirmou em uma coletiva de imprensa que essas “grandes lacunas” nos dados eram piores na Ásia Central, na África e entre os Estados insulares.

Em alguns casos, ele disse que as lacunas de informação podem ser mortais, como quando o Zimbábue abriu as suas barragens durante o Ciclone Idai em 2019, que exacerbou as inundações em Moçambique.

“Este foi um exemplo em que uma melhor coordenação entre o Zimbábue e Moçambique teria evitado vítimas”, disse ele.

No geral, mais de 300 mil pessoas morreram por inundações e mais de 700 mil por secas e seu impacto na produção de alimentos, informou a OMM.

Fonte: G1/Reuters | Foto: Reuters/Manaure Quintero